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SP - Parque do Carmo

Pendência antiga, partimos num sábado ensolarado rumo ao Parque do Carmo. Pegamos um baita trânsito e chegamos, já cansados, um pouco tarde ao nosso destino. Nosso objetivo não era muito ganancioso, apenas dar a volta no parque, tirar meia dúzia de fotos e retornar. Iniciamos pela portaria 02 e contornamos todo parque. O lugar até que é bem limpo/conservado, patrocínio do Itaú, na parte de baixo fica mó galera, mas é só subir as alamedas que o público se restringe a alguns skatistas e ciclistas. Porém, é extremamente mal sinalizado, tem várias picadas sem indicação. Terminado a primeira volta, começamos a "fatiar" o miolo do parque para conhecer suas atrações. Tem um lago bacana, um belo casarão antigo (era uma fazenda), avistamos um grande grupo de esquilos/caxinguelês e, andando pelas alamedas, nos deparamos com uma entrada de trilha. Havia 03 guardas (GCM) do grupamento ambiental (camuflados) na entrada e perguntamos se aquela picada era uma trilha, disseram que sim e nos deram passagem. Partimos para sujar o tênis. 

Grande erro, picadinha suja mas bem batida, começamos a andar e logo percebemos que a trilha se afastava cada vez mais do parque. Até que era bonito, uma parte de reflorestamento de eucaliptos e depois a mata fechava. Muito lixo no chão, sinais de atividades recentes, e cada vez mais distantes do parque. Ficamos com bastante medo, a trilha era uma descida só, nenhum sinal de alma viva, éramos alvos fáceis. Pensamos em voltar mas já estávamos a cerca de 30 minutos ali e deveria ter um fim. Sabia que ali era um aterro sanitário desativado (São Mateus) e logo ouvimos barulhos à direita, provavelmente do SESC Itaquera. Já bem tensos encontramos um indivíduo no meio daquele nada, tinha certeza que seria assaltado, ele perguntou: "Eae alemão, viu uma chave de moto por aí?" Respondi que não e perguntei se faltava muito para sair da trilha, ele respondeu que não e que a saída era logo ali, mostrando a grade que eu já avistava. A trilha terminava numa grade vandalizada, sem um ferro, onde era possível invadir o parque!!! Que irresponsabilidade daqueles guardas!!! como permitir que andássemos por ali?!? Ficamos putos e decidimos ir embora. Agora como voltar? À direita era uma caminhada até a av. Aricanduva e à esquerda era o SESC Itaquera, sem saída. 

Logo surgiram 3 nóias vindo da direção do SESC, demos uma disfarçada e fomos conversar com os vigilantes na portaria do aterro sanitário ali do lado. Informaram que o único jeito era retornar pela trilha, mas não estava com bom pressentimento de ir por ali. Os nóis estavam sentados bem na entrada da trilha, puxando um beque e esperando as presas retornarem. Ficou ainda mais suspeito quando uma moto com dois manos parou e ficou meio que esperando a gente sair dali. Fudeu, pensei baixinho. única alternativa, partimos direto para o SESC, sem olhar para trás, rapidamente chegamos, salvos, à portaria. Pagamos o ingresso (lá quem é usuário ou visitante paga) apenas para atravessar e alcançar o Parque do Carmo pela portaria do planetário. Aliás, o SESC Itaquera é bem bonito, tipo clube de campo, não conhecia também. "Fizemos um 10" por ali, e desistimos de retornar ao parque, estávamos muito bravos com os guardas. Tentamos entrar numa exposição da Amazônia, mas eram 16:33 e fechava 16:30, aliás 17:00 encerrava todo SESC. 

Retornamos num bumba direto p/ metrô Itaquera, ele saí da portaria do SESC e leva apenas minutos, bem rápido. Concluímos que a trilha/picada é o caminho de quem mora ali na região da Av. Aricanduva de acessar o parque sem ter que dar uma baita volta, mas achei muito perigoso, irresponsabilidade total dos guardas permitirem que andássemos por ali. Acabamos não conhecendo todo o Parque do Carmo, mas agora só volto quando re-inaugurarem o planetário. Quanto ao SESC, vamos voltar um dia só para aproveitá-lo e dar uns tchibuns nas piscinas. Ticado sem louvor.





Parque Estadual da Cantareira - Núcleo Pedra Grande

Visita ao Parque Estadual da Cantareira, bolamos um roteiro que contemplasse, no mesmo dia, todas as trilhas abertas dos núcleos Pedra Grande e Águas Claras. Como já conhecíamos muito bem o parque, fiz dois anos de estágio lá, nossa previsão é que daria tempo.

Iniciamos a caminhada 9:30hs já ao som de bugios ao fundo. Fizemos a Trilha da Bica, ao lado da portaria, em cerca de 40 minutos. Circular, não tem erro. Destaque para as milhões de formigas que estavam no caminho, na serrapilheira. Várias subiram por nossas roupas. Avistamos apenas um pica-pau e muitas borboletas. Grande diversidade de flora. Ambiente agradável. Não cruzamos com ninguém.

Voltando já emendamos, um pouco mais acima na estrada que leva à Pedra Grande, a Trilha do Bugio. Ridícula de fácil. Avistamos alguns pássaros, inclusive um Tangará lindo, azul e preto de cabeça vermelha, cantava muito bem. Aqui já encontramos um pessoal na trilha. Tem um mirante bem bacana, com um visual diferente do da Pedra Grande. 

Saindo da Trilha do Bugio, retornamos um pouco pela estrada de asfalto até a entrada  da Trilha das Figueiras. Tempo para a Muller descobrir um bando de bugios acima de nossas cabeças. Belo espetáculo, um verdadeiro banheiro público. Era tanto xixi e coco vindo de cima das árvores que as pessoas desviavam para prosseguir na trilha. Não paravam de mandar os torpedos teleguiados lá de cima, interessante. Infelizmente minha máquina era "de bolso" e o zoom não distingue bem os animais. 

Como o tempo era curto para tanto rolê, partimos para a Trilha das Figueiras. Aqui a picada é também muito bem demarcada. Avistamos alguns pássaros e insetos interessantes, mas nenhum turista. Destaque para os matacões e, no final, para uma Figueira com raízes bem grandes. Ficamos brincando e admirando a árvore um pouquinho. A saída da trilha é no bosque abaixo da portaria, onde fica o playground, e o portão que liga ao Horto Florestal. Havia um casal, de seres humanos, num estágio avançado do ritual de acasalamento. Deixamos a pornografia de lado e retornamos ao início da Trilha da Pedra Grande.

Agora partimos direto pela estrada de asfalto que chega até a Pedra Grande. Paramos num antigo mirante, hoje com a vista tomada pelas árvores, para almoçarmos nossas bisnaguinhas mega recheadas. Feita a deglutição, prosseguimos até chegarmos numa Pedra Grande bombando de gente! Mó barulheira, tiramos duas fotinhos e decidimos voltar depois. Retornamos até a bifurcação com as trilhas que levam até o Lago e as Águas Claras e para lá rumamos. 

Caminhada, pela Trilha da Suçuarana, até a portaria do Núcleo Águas Claras. No caminho mais um bando de bugios, um filhote de cobra morto e dezenas de borboletas brancas gigantes. Aliás, não vimos nenhuma borboleta "Capitão do Mato", aquelas grandes, meio roxas e azuis. Mas destas brancas grandes haviam centenas. Chegamos na portaria, tempo para o xixi e retornamos. 

Aportamos na entrada das trilhas da Samambaia-Açu e Águas às 14:00hs. Fomos por baixo para fazer a Trilha das Águas primeiro. Bem demarcada, limpa e cuidada. Da última vez que viemos estava escondida, com mato alto, tinham até tirado a placa para ninguém conseguir acessar. Agora estava de boa, demos um rolê e ficamos brincando um tempinho nas quedinhas. Retornamos e seguimos pela Trilha da Samambaia-Açu. Essa é a que mais gosto no parque, encontramos 3 grupos de pessoas trilhando por ali também. Determinado momento saímos da trilha para nos aventurarmos pelo bosque de pinheiros. Bem legal. Tinha até despacho e amarração para o amor por ali. Tempo para avistarmos mais um grupo de bugios. Seguimos pela alameda de Samambaia-Açu e fim de trilha.

Saindo, seguimos voltando em direção ao Lago das Carpas. No caminho mais um grupo de bugios. Já estava tarde. Chegando no Lago, a paisagem ali estava muito bonita. Mas, não encontramos nenhuma carpa! Não sei o que fizeram com elas, pois antigamente eram muitas. Brisamos um pouquinho e resolvemos alimentar os milhares de peixes. Destaque para um que ficou surfando em cima da bolacha cream-cracker e não conseguia descer. Fotinhos tiradas, partimos rumo à Pedra Grande. Aqui começamos a ter problemas, fomos abordados por um segurança que estava mandando a galera embora pois já eram 16:00hs! Ele nos proibiu de ir até o mirante da Pedra. Subimos rapidinho e na bifurcação havia outro segurança impedindo a passagem. 

Explicamos nossa situação e imploramos. Argumentamos que não havia nenhuma placa explicando sobre esta proibição e limitação de horário. Enfim, ele nos deixou tirar "uma foto apenas", e assim fizemos. Mirante vazio, cidade poluída, fotos tiradas, apenas 2 minutinhos de contemplação. Tempo para observar um casal de aves de rapinas, grandes e gordas, pousadas nas árvores um pouco ao lado. Nosso planejamento encrencou no final, pois além de não podermos ficar brisando no visu, queríamos descer pela estrada que vai por baixo da Pedra Grande. Abortamos pois o segurança iria encher o saco, além de demorar muito mais, afinal já eram 16:30. 

Descemos pela trilha asfaltada, observamos nosso quinto grupo de bugios, aqui interessante pois estavam na mesma árvore de um casal de tucanos que gritavam alucinadamente. Belo espetáculo de fim de tarde. Alcançamos o portão 17:05. 

Ticado agradavelmente, apesar de não conseguirmos ficar mais tempo na Pedra Grande, e de não fazermos um caminho diferente na volta, foi um ótimo programa para um sábado qualquer. Agora faltam os outros dois núcleos, também já os conheço, mas merecem serem visitados mais uma vez.







Parque Estadual de Vila Velha (PR)

O Parque Estadual de Vila Velha fica na cidade de Ponta Grossa (PR). Para visitá-lo compramos a passagem de ônibus em Curitiba (Curitiba/Ponta Grossa) e pedimos para o motorista nos desembarcar próximo à entrada do parque. Como chegamos cedo, tivemos que esperar o parque abrir e, assim que liberaram a entrada, já partimos para garantir vaga nos passeios. Compramos os ingressos, tomamos café e assistimos a um vídeo educativo. Logo pegamos o bumba interno e visitamos a parte das Furnas e da Lagoa Dourada. Gostei bastante da parte das Furnas, com direito a uma revoada de andorões, bem legal. A Lagoa Dourada eu achei meio besta, esperava mais. Retornamos ao centro de visitantes e pegamos um outro bumba até a parte dos Arenitos. 

Nos Arenitos, ouvimos as explicações, deixamos todo grupo passar e ficamos aproveitando num ritmo bem de boa a paisagem e os desenhos das formações. Depois de um tempão, retornamos a pé por uma trilha até o centro de visitantes, visitamos uma área educativa e aguardamos o horário para o bumba nos pegar na estrada (tem um horário específico que ele passa e já havíamos comprado a passagem preventivamente). No ponto, conhecemos um casal de cariocas, eles não conseguiram fazer o percurso completo por falta de tempo e informação, foi bom chegarmos cedo para garantirmos vaga nas atrações. 

Curti, no fundo esperava mais, mas valeu. Ticado agradavelmente sem pretensões de retorno. 






Belo Horizonte - Parque Mangabeiras

Visita ao Parque das Magabeiras e arredores. Infelizmente não conseguimos conhecer o Parque da Serra do Curral, estava fechado, quem sabe numa próxima oportunidade. O Parque das Mangabeiras é a maior área de preservação de BH. Visitamos todo o parque (roteiro do sol, da água e das matas), numa grande volta circular. Subidinha cansativa. Tem um mirante bacana e vários animais (quatis e jacutingas). Tem um poço onde a galera do entorno se refresca, algumas pequenas quedas d´água também. Uma razoável área esportiva. Na saída passamos pela Praça do Papa e Mirante do Mangabeiras, esse último muito bem cuidado, uma vista bem legal. Ticado agradavelmente, curti, mas sem pretensões de retorno.  






Belo Horizonte - Lagoa da Pampulha

Acordamos cedo, tomamos café e partimos rumo à região do Mineirão e da Pampulha. Nosso objetivo era visitar o estádio e dar a volta na lagoa. Descemos no ponto quase em frente, mas logo descobrimos que a visitação estaria fechada por mais 1 semana. Que pena. Demos a volta por fora do Mineirão, tiramos umas fotos e partimos.

Já na Lagoa da Pampulha iniciamos a caminhada debaixo de um baita sol. Várias pessoas fazendo exercício, mas à medida que nos distanciávamos da Igreja de São Francisco, o percurso ficava praticamente deserto. Quando chegamos na metade no trajeto de cerca de 18 km caiu uma chuvinha. Não parece, mas é um rolê meio cansativo. Engraçado é que todo mundo parava perguntando por informações, achando que eramos mineiros. Infelizmente todos os pontos turísticos estavam fechados pois era feriado de ano novo. No final tomamos um baita susto com um avião que passou rasante. 

Ao longo do trajeto avistamos muitos pássaros e capivaras. A Lagoa estava muito suja e fedia bastante. Curti, experiência diferente, mas sem pretensões de retorno.





Brumadinho - Inhotim (Minas Gerais)

Visitar o Inhotim foi uma experiência incrível. Ele é simplesmente um enorme e lindíssimo Jardim Botânico que abriga galerias e galerias de obras de arte contemporânea, além das esculturas ao ar livre. Diferente de tudo que já havia visto. Muito legal. 

Tomamos o bumba em BH que para no estacionamento do Inhotim. Como já havíamos comprado o ingresso pela net, entramos por um guichê especial, sem filas. Foi uma baita correria, mas conseguimos visitar tudo o que estava aberto no dia. Cansamos mas foi muito gratificante para nossos sentidos. Muitas cores. Adorei as obras que envolviam músicas e sons, dava pra sentir a vibração no ar. Destaque para a galeria com o trator e uma com fios dourados esticados (Lygia Pape eu acho), muito impactante. Corremos tanto que até sobrou tempo e deu para repetirmos algumas obras.

Muitas galerias interessantes, algumas também medonhamente horríveis, mas no geral tudo muito bacana. No final uma pequena confusão com uns gringos tentando pegar nossos lugares no bumba da volta, mas ficou tudo bem! Ticado com louvor, talvez um dia retorne para ver com mais calma. 






Morretes

Atrasamos (o trem) 2 horas, deveríamos ter chegado às 11:30, mas desembarcamos às 13:30. Aliás, como o trem é enorme, não existe plataforma para todos os carros, descemos no meio da via mesmo, fomos andando pelos trilhos. Em função do horário adiantado fomos muito prejudicados na visita à Morretes. Primeira providência foi sair correndo à caça de um restaurante, puta fome, para experimentar o tal "Barreado". Achamos um self-service vazio e atacamos ali mesmo. Foram duas pratadas caprichadas. O Barreado não é ruim não, com banana e farofa é gostoso, mas achei ele muito temperado/condimentado. No fundo é um pirão de carne seca. Bucho cheio fomos dar um mini rolê pela cidade. Caminhando na "Velocidade Inhotim" demos uma volta pela cidade e tiramos algumas fotinhos. Achei agradável, um riozinho no meio, bem bucólico. Curti. 


SP - Parque da Juventude


Chapada da Diamantina - Cachoeira da Fumacinha

A Cachoeira da Fumacinha foi nossa última trilha na Chapada da Diamantina. Fechamos com "chave de ouro". Foi uma das trilhas mais legais que já fiz, certamente está no TOP 10. Trilha difícil, pulamos de pedra em pedra, atravessando o rio em zigui-zague. Gordo, abri meus dois pulsos, e tomei dois "rolas", os primeiros em muitos anos. Iniciamos a caminhada antes das 7:30 e terminamos 12 horas depois. No final, quando tirei minhas botas e meias molhadas, dos meus pés saia uma quantidade surreal de fumaça (vapor). Judiei do meu corpinho.

Trilha linda, no final do canion um enorme paredão e, dentro de uma fenda, escondida, a cachu, linda e gelada. Banho revigorante. Água escura, deu até medinho nadar lá dentro. Experiência fascinante, voltaria com certeza, nota 10, ticado com louvor. 



Chapada da Diamantina - Cachoeira do Buracão

A Cachoeira do Buracão é de tirar o fôlego. 



Chapada da Diamantina - Vale do Paty 4/4




Chapada da Diamantina - Vale do Paty 3/4



Alcântara

A memória já é falha, mas lembro de alguns detalhes da visita à Alcântara. Estávamos subindo pelo Piauí no intuito de chegarmos aos Lençóis Maranhenses e, aproveitando nossa estada em São Luís, visitamos aqui também. Para alcançarmos Alcântara pegamos uma balsa e logo no desembarque fomos abordados por dezenas de guias querendo vender passeios e mapas turísticos. Obviamente recusamos e demos um rolê sozinhos pela cidade. Alguns casarões e ruínas interessantes, mas o que mais curti foi o Museu Aeroespacial com seus foguetes. Ticado agradavelmente, gostaria de voltar um dia. 



Parque Nacional das Sete Cidades

A memória já é falha, lembro-me apenas de algumas passagens. Nos hospedamos num hotel, bem bacana, próximo ao parque. Alugamos bicicletas e desbravamos, rapidamente, todo parque. Formações inusitadas, curiosas, novamente caatinga e pinturas rupestres. Como já tínhamos ido para Serra da Capivara e Serra das Confusões, não nos maravilhamos tanto assim com a paisagem. No final da tarde lembro de descansarmos na piscina do hotel, relaxante. Ticado agradavelmente, sem pretensões de retorno.







Parque Estadual do Juquery

Sábado de sol resolvemos prosseguir com o projeto de trilhas e caminhadas, afinal já fazia um bom tempo que não voltava para a natureza. Listinha forrada de pendências, queremos optar por algo sem muitas pretensões de aventura, uma vez que o Carlota não poderia ir porque tinha que trampar na obra. Navegando pela net, entro no mochileiros.com e decido, sem pestanejar, partir para o Parque Estadual do Juquery. Na verdade eu já o conhecia, pois quando trabalhava no PE da Cantareira eu havia feito uma visita técnica ao Juquery.

No metrô indo encontrar a Muller, percebo que esqueci em casa o relato do Jorge Soto que havia impresso, até tinha ajeitado bonitinho para caber em menos folhas, paciência. 08:40, por algum milagre, partimos da Barra Funda em direção à Franco da Rocha. Cabe ressaltar que foi a primeira vez que a Muller não atrasou, aliás, chegou 20 minutos antes do horário! Não deveria ser um bom presságio.


Enquanto refletia sobre estar fazendo o meu caminho habitual de trabalho durante o final de semana uma cena insólita: um cidadão falando ao telefone resolve anotar alguma coisa. Ele pega a caneta, testa na perna direita da bermuda (sim, na bermuda), fica riscando, e depois anota o recado na perna esquerda da bermuda!!! Ele poderia escrever no braço, na perna, na testa, no trem... mas não, ele escreveu na própria roupa!!! Pelo menos tinha ar-condicionado (alegria de pobre) e muitos minutos de viagem depois desembarcamos em Franco da Rocha.


Tendo como base o que lembrava do relato do Jorge, logo localizamos o ponto do bumba que nos levaria até o parque, linha Mairiporã. 10 minutinhos de espera, tempo para comprar um salgado e um suco por R$ 2,50 o combo, e já embarcamos no coletivo. Sabíamos que a distância era pequena, e em alguns minutos de "Estrada do Governo" avistamos uma placa: Parque Estadual do Juquery". Dei sinal e descemos no próximo ponto. Burro né, anta mentecapta. Eu sabia que o ponto correto era no corpo de bombeiros, e não havia nenhum por ali! Retornamos até a plaquinha e avistamos uma entrada para o parque, sendo prontamente recebidos pelo segurança que já nos mostrou o banheiro desejando bom passeio. 



Iniciamos a caminhada, portanto, pela outra extremidade da trilha do Rio Juquery. Aqui falta sinalização, não tinha nenhum mapinha e nem placas de distâncias. Sabíamos apenas a direção e fomos caminhando pela trilha (estrada). Logo surge uma bifurcação e rumamos pela direita. Era o início da trilha do "Ovo da Pata". Aliás, puta sol. Rachando... seguimos por uma subidinha e alcançamos um enorme descampado de terra vermelha que salta aos olhos. Era a antiga pista de pouso. Logo uma placa indicava que estávamos no caminho certo. Mais à frente chegamos ao quiosque da Siriema. Milhares de vespas, muitas mesmo. Renovamos nossa água (tava fervendo) na torneira, exploramos um pouco por ali, algumas fotos e perspectiva visual do que nos aguardava. Sem mais delongas continuamos, sabíamos que a caminhada era longa (13,4 km) e o sol iria piorar.

Muitos ciclistas e alguns andarilhos pelo caminho. Seguimos tostando até a torre de observação. Aqui a paisagem já fica  mais interessante porque surgem muitas árvores com troncos retorcidos e cascas queimadas, bem cerrado, bonito. Chegando na torre, decepção, o acesso estava trancado com cadeado... pior que tinha visto na internet várias fotos da galera na torre e estava crente que iria subir... paciência. Mais algum martírio térmico e alcançamos a árvore solitária. Paradinha para descanso e colocar açúcar no sangue. Uns ciclistas que ali estavam seguem por uma parte de acesso proibido, preferimos continuar na trilha normal e retornamos. Sobe desce morros, sol, muito sol, destaque para várias borboletas azuis, vermelhas, amarelas... lindas... várias flores também... urubus, gaviões e carcarás... rola uma fauna ali... anda, anda, anda e nada de chegar ao tal Ovo da Pata. Era possível avistá-lo, assim como dezenas de trilhas nos morros próximos, ainda não entendiamos direito qual o caminho a seguir.


Muitos minutos depois alcançamos uma plaquinha, já no sopé do morro, que indica uma trilha circular no Ovo da Pata (2,6 km). Saímos então da estrada e fomos subindo pela vertente do morro. Muito sol mas é rápido, logo alcançamos o topo da elevação e fomos agraciados por uma vista interessante das adjacências do parque. Ventinho agradável dava uma amenizada no calor, nossa diversão era ver a sombra das nuvens correndo pelos morros à nossa frente e torcendo para chegar até nós. Andamos pela crista do Ovo da Pata até o outro lado. Curti, legal, claro que nem se compara a outros visus aqui em São Paulo mesmo. Ficamos um tempinho por ali, batemos fotos e partimos para a descida. Aqui já escorrega um pouco, muitas pedrinhas e voçorocas. Alguns pedaços de bike espalhados sinalizavam que o tombo foi feio. Zero sombra. Finalmente chegamos à estrada, de um lado uma placa de passagem proibida, do outro a volta da trilha circular. Retornamos e para nossa alegria logo surge um capão com mata fechada. como diria o grande Daryw: "o sol é para todos, a sombra para poucos". Descansamos no conforto térmico da sombra e nos preparamos psicologicamente para a volta.


Retornamos direto, sem escalas, para o quiosque da Siriema. No caminho, naquele calor infernal, tinha um cara correndo em direção ao Ovo da Pata! O brother logo diminuiu, mas foi possível avistá-lo subindo o morro! Cabra macho da porra! Mais alguns andarilhos pelo caminho, cruzamos dois seguranças, um de moto o outro de jipe, e mortos chegamos ao quiosque. Comemos alguns amendoins e enchemos o bucho de água torneiral. Milhares de marimbondos pousando em mim, só para variar. Um casal passou e logo desistiu de continuar até o Ovo da Pata, mulher tava xingando! Descansados continuamos e quando chegou o descampado/aeroporto seguimos pela direita onde desembocamos na Trilha dos Lagos. Muitas fotos, e muitas picadas de trilhas no horizonte. Descemos a escadaria de pneus, alcançamos o lago propriamente dito, e na sequência a Trilha do "Yu-Keri". Seguindo por essa última chegamos à sede do parque e um grande playground.


Bebemos água, finalmente achamos o mapa e fomos tirar umas fotinhos dos prédios da sede, arquitetura de Ramos de Azevedo. Logo na terceira foto sou abordado por um funcionário do parque, dizendo que não eram permitidos registros fotográficos, apenas se fosse para uso pessoal. Parei prontamente, expliquei que poderia apagar se ele quisesse, mas eram fotos para recordação. Então conversamos um pouco, papo vai, papo vem, perguntou se já conhecíamos o parque, aproveitei para falar que sim, blá, blá, blá, ... de repente o cara me reconhece: fui professor dele no curso de monitor ambiental!!! mundo minúsculo! Depois acabei lembrando do nome dele, Anderson, cara gente boa, comprometido com o parque, com a educação ambiental, natureza, muito legal!


Aproveitamos para dar mais um rolê na sede, vimos a coleção de pegadas, ossos, insetos, sementes, etc... depois partimos para a trilha que levava até uma nascente (a trilha do Rio Juquery mesmo), tomamos bastante água numa biquinha e, cansados, nos dirigimos à saída. Encontramos o quartel do corpo de bombeiros e logo passou o bumba que nos deixou na estação Franco da Rocha.


Gostei bastante, mas sem pretensões de retorno a curto prazo, bem melhor do que ficar em casa ou ir rolê no shopping. Vivências que agregam.



Chapada da Diamantina - Vale do Paty 2/4

Zero conforto noturno, acordamos cedo. Mingau de aveia para o bucho e levantamos acampamento. Nossa ideia inicial era ir até o Cachoeirão sem mochilas e voltar para pegar a trilha que desce ao Vale do Paty pela "Rampa". Ponderamos e decidimos ir com as mochilas mesmo, porque queríamos seguir pela rota que descia a fenda em direção ao Vale do Paty. Pelo mapinha parecia ser tranquilo. Aquele gringo perdido não deveria manjar nada.

Uma leve caminhada com o sol bombando e chegamos ao Cachoeirão. Sem dificuldades encontramos a toca onde havia a "janela" voltada para o vale (Cachoeirão) e que daria para ver o nascer do sol. Não era longe, daria para chegar na noite anterior, mas beleza, não sabíamos. Ficamos um bom tempo por ali, brisando no visu. Coisa linda demais. Várias mini quedas eram visíveis ao longo do paredão. O vento trazia algum spray de vapor das cachus, tudo muito bonito. 

Chegou um grupo de gringos com uns guias, estavam do outro lado, mas era nossa deixa para partir. Mala nas costas e começava a epopeia. Inicialmente seguimos as flechas desenhadas nas pedras pelo chão, mas em minutos percebemos algo de muito errado: elas apontavam todas as direções!!! Tipo uma rosa-dos-ventos. Sim, alguém propositadamente alterou todas as indicações, certamente com o intuito de fazer a galera se perder, de não conseguir achar a trilha! Puta maldade. Sem GPS, sem bússola e sem nunca ter estado por ali nos restou apenas o muito enferrujado senso de direção. 


Mas partimos! Tínhamos água, comida, barraca, lanternas e muita disposição. O Carlota foi abrindo caminho, que logo mostrou-se bem complexo. Subidas e descidas, muito sol e pouca sombra. Tentávamos decifrar qual das flechas era nossa amiga, provavelmente as mais desgastadas pelo tempo. Depois de um bom esforço chegamos à um lindo mirante. De um lado o Vale do Paty, do outro o vale onde fica o Cachoeirão. Pausa para descanso, aqui a trilha simplesmente acabava, era a constatação que estávamos perdidos. Retrocedemos para tentar achar outro caminho. Refizemos os passos e nada. Olha daqui, explora dali. Nada. O  Carlota seguiu um vara-mato desenfreado tentando circundar o morro pela esquerda, era a indicação que constava no mapinha. Nada. Nenhuma trilha ou picada. O mapa estava errado! 
  
Voltei ao mirante pois era onde a trilha supostamente acabava. Tinha que estar por ali. Depois de mais algumas buscas arrisquei descer um pouco por uma parte mais aberta do precipício voltada ao Paty. Achamos! Logo nos primeiros metros surgia uma picada beirando o paredão. Seguimos mais aliviados. Carlota sempre na ponteira nos guiou até chegarmos numa toca. Uma pedra no caminho nos impedia de continuar pelo paredão. Havia outro caminho: descendo reto pela encosta! Tenso. Pedras soltas. Respiramos fundo, e fomos descendo aos poucos passando as mochilas com calma. Grudados no paredão que nem lagartixas tivemos, logo no segundo patamar, uma terrível notícia: ali também não havia trilha!

Fez-se silêncio, lembrava do Gatão falando para não irmos por ali porque a trilha não era aberta, era perigoso e tudo mais. Carlota ficou muito nervosa, eu e Muller calados. Na verdade já estava cansado, imaginar voltar tudo até Toca do Gavião me deprimiu de leve. Novamente apelamos para o bom senso e decidimos tentar contornar a pedra lá em cima, só poderia ser por ali a continuação da trilha. Dito e feito. Literalmente escalamos até a toca e, contornando o obstáculo rochoso, encontramos a continuação da trilha. Aqui um fato a se lamentar: quando descemos o precipício, fiquei por último para passar as mochilas para cima. Ao começar a subir, aconteceu uma tentativa de assassinato. O Carlota, já querendo se livrar de mim para sobrar mais comida, e estando alguns metros acima, pisa nas pedras soltas. Uma rocha, do tamanho de uma bola de vôlei (não é exagero), voa em minha direção. Grudado no paredão, me abaixo. A pedra quica 1 cm acima da minha cabeça! Não era minha hora. Depois de 20 anos comecei a reavaliar a amizade. 

Seguimos e alcançamos a mata. Aqui ao invés de melhorar, a trilha piorou. Fomos segurando nos troncos e raízes numa descida sem fim. Joelhos choram. Uma escada de madeira aparece para auxiliar numa escalaminhada. Este é o caminho, certeza. Cansaço. Agora a preocupação é com a luz, há muito já estava entardecendo. Mais alguns obstáculos de pedras e alcançamos o rio. Mapinha em mãos seguimos pela trilha que margeava o curso d'água para a direita. Um inesperado sobe e desce maltrata ainda mais meu pobre corpinho. Metros viram quilômetros de esforço. Lanternas na mão, no céu escuridão. Carlota segue mais adiantado e finalmente encontra a  casa do Jaílson. Glória senhor! Rápida negociação, aportamos por ali.

Ufa! Banho gelado na prefeitura (fica anexa à casa de Jaílson). Compramos mais mantimentos na vendinha do homem. Jantar delicioso. Repetimos o cardápio: macarrão com atum e molho bolonhesa. Divino. De repente chegou mais um grupo. Dois guias e dois casais. Na verdade um casal encontrou/resgatou o outro na trilha. A mina já conhecia o pico e levou o namorado. Amadorismo total, não tinham nem lanterna. Pegaram carona com os guias e se salvaram. A Italiana estranhou nossa refeição, misturar carne de boi com peixe. Galera era tipo vegan. Levaram até batata para cozinhar. Imagina o peso. À noite o casal perdido, e agora bêbados, resolveram copular no quarto ao lado no volume máximo. Como não havia forro e as paredes eram baixas, demoramos para conseguir dormir. 

Caminhada boa. Ticado com muito louvor, curti a aventura, vivências que agregam. Bora dormir que amanhã tem mais.



Chapada da Diamantina - Vale do Paty 1/4

06:50 já estávamos prontos esperando nosso transporte até o Bomba (Vale do Capão), onde iniciaríamos nossa caminhada pelo Vale do Paty. Mochilas pesadas, levávamos equipamento de camping, bastante comida, além do kit-lanche que o Léo preparou para nós. 07:00, 07:15, 7:45 e nada! O Paulinho PT simplesmente não apareceu para nos levar até lá, instantes de nervosismo. Sabíamos que a caminhada era longa, não conhecíamos a trilha e cada minuto de luz do sol faria diferença no final. A dona do albergue tentava, em vão, falar com o guia e nada. Por sorte, conseguiu falar com o Léo Gatão, que estava de folga, mas se prontificou a nos levar. O cara foi brother. Assim que ele estacionou já entramos no carro e partimos p/ a trilha. Ele nos deixou bem perto da entrada da travessia, alguns últimos conselhos, e partimos para o Vale do Paty. Não tínhamos guia, nem gps, nem bússola. Apenas um mapinha e a promessa de uma bela pernada.



Na verdade, não tem muito como errar. Seguimos por uma subidinha deixando para trás o Capão e o complexo da cachoeira da Fumaça (à esquerda). Já na trilha, mantivemos sempre à direita pelas bifurcações. A trilha é muito batida, difícil de errar. Próximo a um córrego já avistamos o início da Ladeira do Quebra Bunda. Aqui uma cena triste, muitas roupas e comida jogadas num canto!!! Provavelmente alguém devia estar com muito peso e descarregou por ali. Nossa vontade era recolher o lixo, mas como também estávamos muito carregados seguimos viagem. 

Antes de encarar o Quebra Bunda fizemos nosso lanche, ovo cozido, sanduba de atum, bolo , bastante sustância. Tão logo iniciada propriamente a subida, percebemos que o monstro não era tão grande assim. O nome assusta muito mais que a pernada. Achamos bem sussa, talvez por estarmos preparados psicologicamente para algo muito pior. Logo alcançamos a parte de cima e seguimos pela picada na Serra do Rio Preto, margeando por cima os Gerais do Vieira. Não existe sinalização alguma, nenhuma placa, totem, mourão, flecha, absolutamente nada. Com o Gerais do Vieira (Paty) sempre à esquerda seguimos. Parávamos o tempo todo para apreciar o visu. Não conseguimos localizar a trilha vinda do Guiné, tampouco alguma fonte de água. Passamos a cerca de pedra e foi a certeza de estarmos no caminho certo. Apenas uma cobra cruzou nosso caminho durante todo dia. Já entardecendo observamos uma bifurcação à esquerda que certamente era a descida da rampa, mas como nosso objetivo não era desce-lá, fomos direto em direção à Toca do Gavião.


No caminho encontramos uma única alma, um gringo sozinho. Ele nos disse que havia se perdido tentando achar a trilha que descia do Cachoeirão para a Prefeitura (a fenda), como não havia encontrado estava voltando para descer a rampa. Já estava escurecendo e oferecemos uma lanterna, mas ele disse que tinha uma. O relato dele nos preocupou pois era exatamente o que pretendíamos fazer na manhã seguinte. O sol já havia se posto então Carlota foi na frente para tentar localizar a Toca do Gavião. Segundo o Léo era só passar pelo rio e logo a direita já era a picada que subia p/ toca. Encontramos sem dificuldades.

Hora de armar a barraca e preparar a janta. Macarrão à bolonhesa com atum e tang de tangerina, simplesmente divino. Céu estrelado, lindo, depois de bater a cabeça umas 20 vezes no teto da toca ficamos comentando sobre a trilha. Ainda demos um role para ficar brisando nas estrelas e depois de um tempinho fomos dormir.

Dia lindo, trilha show de bola, nota 10!

Chapada da Diamantina - Cachoeira da Fumaça



Acordamos cedo, café da manhã caprichado e partimos para a Cachoeira da Fumaça (por cima). Hoje seria o nosso primeiro dia de trilha na chapada. Estrada de terra, sol rachando o coco, e logo estacionamos perto da entrada da trilha. Nosso guia, Paulinho PT, novamente não seguiu conosco, assim como nos outros dias, ficou no carro esperando. Mas acho que ele estava com problemas de saúde, talvez diabetes e depressão por perder a esposa (ela saiu de casa). Ali já rolou um esqueminha porque agendamos o almoço num buteco/lanchonete/restaurante e depois descobrimos que a dona do estabelecimento era a prima dele. Mas beleza.

A trilha não tem erro, uma reta só, aliás, é possível observar de longe, na estrada, o caminho intemperizado e erodido no morro. Logo, driblamos uns ripongas vendendo "artesanato" e uma associação de monitores cobrando alguma contribuição e já estamos subindo. Não existe portaria nem ingresso, inclusive tinha um pessoal do IBAMA por ali, talvez bolando algum manejo, sei lá. Como eu estava bem fora de forma, cansei um pouco, mas logo chegando num mirante deparei-me com um vendedor e seu isopor cheio de coca-cola. Obviamente redistribui renda e aproveitei para hidratar-me. O visu é bem bonito, agradável, mas tinha uma galera, muito gringos. Era possível observar a entrada do Vale do Paty pelo Capão, no dia seguinte estaríamos ali. Quase todos os coleguinhas turistas estavam com guia, pessoal não gosta muito de turista sem guia, alguns olhares atravessados. Algum tempo depois já estamos na parte de cima do morro, bela paisagem.

Mais alguns minutinhos e alcançamos o mirante principal. Lindo, lindo. Muito legal. Um pequeno congestionamento para ficar na beirinha e tirar fotos. Só faltava uma sombrinha, sol incomodando. Bom, milhares de fotos, mini cagaço de olhar para baixo na beirada, um segura o outro, bem divertido. Aos poucos a galera foi vazando e por alguns instantes tivemos o pico praticamente só para nós. Na verdade este rolê da cachoeira da Fumaça geralmente é vendido com outro rolê junto, tipo mais uma cachoeira para banho, mas decidimos ficar mais tempo para curtir o pico mesmo. 

Caminhamos até outro mirante à direita da cachu, onde era possível ver a queda do vaporzinho da cachoeira da Fumaça. Estava bem fraco mesmo, provavelmente pela época. Mais um tempinho sussa e decidimos retornar, a fome já surgia. Tão logo estamos novamente na trilha, lembro que deixei meus óculos para trás e retorno para procurá-los. Depois de um tempo encontrei e prosseguimos. Já quase no fim paramos um pouquinho para descansar antes da última decida até o povoado, lá o visu também é bonito. Eu estava bem cansado, e um pouco preocupado para o dia seguinte, a travessia do Paty. Chegamos e almoçamos no restaurante/boteco indicado, comida ruim, não curti. Partimos para Palmeiras e fizemos um mercadinho para a trilha de 4 dias. Óbvio que exageramos um pouco. Já na pousada combinamos de sair cedinho (07:00) com o Paulinho PT, só o pagaríamos na manhã seguinte, quando ele nos deixasse na entrada da trilha no Capão. Aproveitamos para definir todo roteiro da travessia e pegar dicas preciosas com o Léo Gatão. Ele ainda não se conformava de estarmos indo fazer sozinhos, sem guia, a caminhada. Hora de nanar e guardar as energias.

A Cachoeira da Fumaça é muito bonita, ticado com louvor, mas existem picos ainda mais deslumbrantes na própria chapada. Gostei muito de conhecê-la, mas não pretendo voltar tão cedo.  



Chapada da Diamantina - Lapa Doce

Acordamos cedo, um banho rápido e pamonhas no café da manhã! Que delícia! Tinha pastel de banana também... muito bom. Mochilas arrumadas fomos conhecer nosso guia, o Paulinho PT, que já nos aguardava na recepção. Aliás, ele não foi bem um guia, ficou mais para motorista, mas valeu, era o que precisávamos. Carro com ar condicionado (Deus é pai), partimos rumo à nossa primeira parada, a Lapa Doce. Depois de um tempinho de estrada e forró calcinha preta rasgando o tímpano chegamos. Mas, de cara, não tive uma boa impressão. Mal pagamos a taxa de extorsão e o guia local já veio falando mal da minha lanterna, começou a apressar a gente, puta má vontade. Peguei birra, já era. Pelo menos, aparentemente, não falou nenhuma besteira muito grave. Obviamente prestei atenção em cada vírgula. 

Caminhada tranquila e descemos para a gruta, alguns espeleotemas, mas nem se compara ao PETAR. Logo já surgia um grupo atrás de nós, era possível observar um grupo logo à frente também. Rolê 100% turístico, zero exclusividade, muito me lembrou meu tempo de guia de turismo, via a desmotivação no rosto dos caras, discurso automático. Sempre nos adrenando para ir mais rápido, e ter mais tempo para pegar outros grupos, o guia local foi nos conduzindo pela Lapa Doce. Em determinado momento tentou apagar a lanterna e fazer um black-out mas não rolou legal, muito barulho, muita claridade, o espaço percorrido é muito pequeno e tinha muita gente. Não curti.  





Chapada dos Veadeiros - Quilombo Kalunga

Depois de um tempinho de estrada de terra chegamos ao quilombo. A presença de um condutor local é obrigatória, como já estávamos com o guia não foi preciso contratar mais ninguém, apenas pagamos a taxa de extorsão (R$ 10,00) e entramos. Paramos rapidamente no restaurante da comunidade para agendarmos o almoço e fomos motorizados até as cachoeiras. Na volta das cachus, desfrutamos da refeição e, com muito calor e sol bombando, partimos rumo BSB. Tempo ainda para curtir um mirante onde observamos a Cachoeira da Ave Maria. Bonito. Nada de trilhas, só vislumbramos a paisagem. Ticado agradavelmente.


SP - Parque Anhanguera

Visitar o Parque Anhanguera era um projeto antigo, adiado por quase 10 anos. Lembro que logo após sair do Parque Estadual da Cantareira eu comentei com o Bodão para fazermos uma visita por lá, afinal é uma baita mancha verde no mapa da cidade. Quando eu tentei conhecer todos os 100 parques de São Paulo também ensaiei uma visita e nada. De última hora, numa troca de e-mails decidimos ir conhecê-lo. Carlota não pode ir, fomos apenas eu e Muller. Fizemos um mercadinho para o piquenique (não queríamos cometer o erro de Santo André) e marcamos na Barra Funda. Um certo atraso e descemos na Lapa. Tivemos dificuldade para achar o ônibus correto, pessoal nos ajudou e embarcamos num bumba (Perus) cujo número não estava nem no site da prefeitura, nem no da sptrans.  


Depois de um rolê pela Rodovia Anhanguera o busão entrou na Estrada de Perus, de pronto reconheci um boteco que havia visto no google street view e já dei o sinal, foi certeiro. Paramos ali no meio da estrada mesmo, andamos uns 50 metros e já estamos na portaria do Parque Anhanguera. De uma forma geral ele é uma antiga fazenda de reflorestamento de eucaliptos, bem conservado, muitos funcionários na segurança e limpeza. Porém a sinalização é péssima. Basicamente o uso público se resume à uma ciclovia que margeia um miolo formado por quadras, churrasqueiras, estacionamento, alguns bosques e alamedas. Tudo isso, sem contar as centenas de cachorros simpáticos que moram por ali, certamente abandonados à própria sorte por animais sem coração.

Seguimos por uma trilha bastante larga acima das quadras. Depois de alguns minutos de subida ela termina numa espécie de cerca, com uma picada à direita em descida. Caminhamos um pouco pela descidinha e depois retornamos imaginando que a nova trilha nos levaria de volta à estrada de Perus. Localizamos um outro caminho que saia à esquerda da trilha principal e seguimos por ele. Alguns minutos e milhares de eucaliptos depois a trilha se fechou quase completamente. Estávamos sem bússola, gps ou mapa, marcamos o horário e começamos a fazer um mini vara-mato. A trilha é bem legal, muito fechada, nenhum vestígio de atividades recentes, inclusive com vários pássaros nos recepcionando. Porém, estava um pouco tenso, não pelo medo de me perder ou pelas possíveis peçonhentas, mas sabia que as redondezas não eram das melhores no que tange ao bicho homem, e não queria ser desovado em Perus.   

Passamos por 2 bifurcações, sempre mantendo à esquerda, na direção de retorno circular ao centro do parque. Depois de uns 40 minutos encontramos um córrego e imaginamos que poderia ter uma outra trilha que chegava por ali. "Batata", assim que atravessamos já visualizamos uma trilha bem maior, inclusive com algum lixo. Subimos por ela, uma bifurcação e alguns minutos e já estávamos na ciclovia.

Pic-nic, orquidário, rolê na ciclovia e uma exploração em outra trilha (dava numa estrada com uma casa abandonada, decidimos retornar). O parque estava cheio, alguns aniversários nas churrasqueiras, bikes e estacionamento lotado. Já era hora de dar tchau, fomos bater um papo com os seguranças sobre as possibilidades de trilhas e eles nos informaram que a trilha que fizemos não era permitida, inclusive perigosa pela proximidade com uma comunidade junto ao parque, sendo refúgio de nóias da região. Assim, nossas suspeitas se confirmaram e aquela descidinha que abortamos no início era uma ligação com a favela vizinha. 


Saímos por outra portaria e pegamos um bumba até a Estação Perus da CPTM. Passamos por um baita acidente de carro, triste, Então, ao invés de pegarmos sentido Luz, embarcamos, propositadamente, sentido Jundiaí. Baldeação em Francisco Morato e depois de um tempo chegamos à centenária estação, ponto final da EFSJ. Já anoitecia e estávamos cansados. Compramos uma passagem de ônibus para São Paulo. Destino Barra Funda, mas o motora foi p/ o Tietê! Mas ok, sem stress.    

Roteiro muito sussa, ticado agradavelmente, mas sem pretensões momentâneas de retorno. Valeu pelo sábado.



Chapada dos Veadeiros - Ponte de Pedra

Acordamos cedo, café da manhã mega natureba com música celta bombando ao fundo. Mochilas abastecidas e aguardamos a chegada do Zé Pedrão, nosso guia (R$ 100,00). Não queríamos a presença de um condutor conosco, não pelo R$, mas porque é mais legal descobrir os caminhos sozinhos. Todavia, hoje seria obrigatório, e a entrada para a Ponte de Pedra se fazia por uma propriedade particular (pousada Vale das Araras). Mais tarde descobriríamos o quanto perderíamos sem a presença do guia neste dia. Após um breve passeio pela cidade de Cavalcante seguimos rumo à Ponte de Pedra. Depois de algum tempo de estrada já pagávamos a taxa de extorsão na pousada base p/ trilha. Observamos, pelas datas no livro de visitas, que fazia um tempinho que ninguém encarava a referida caminhada. Zé Pedrão, um condutor diferenciado, não parou de falar 01 minuto, amizade à primeira vista com a Carlota. Não aguentava mais a história do pastor que benze por telefone, não adiantava, não iria anotar o número do celular dele. Aqui o caminho de terra fica bem mais complexo, exigindo bastante esforço do Land Rover/Palio, era uma estradinha bem fechada pelo mato.

Findada a possibilidade de continuar motorizados, pé na trilha para nós. Com guia é bem mais fácil, não ficamos preocupados com desvios e entradinhas. Seguimos o Zé Pedrão e, de cara, uma baita subida. Aqui eu cansei, cheguei lá em cima morto. Agora começava a maravilha, a caminhada rumo ao atrativo é linda. Certamente as fotos não irão retratar o espetáculo. Estava um baita vento e um baita sol. A cada curva uma nova paisagem, muito legal. Interessante era notar que, diferentemente das outras trilhas, aqui não haviam pegadas no chão, realmente um rolê muito exclusivo. Trilha sussa, uma caminhada agradável. Logo alcançamos a Ponte de Pedra e Zé Pedrão já foi avisando que não poderíamos escalar a rocha. Tranquilo, o visu já era exótico e recompensador. Parada para o lanche e agora subimos para o alto do morro, rumo ao mirante. Mais uns minutinhos e um visu de perder o fôlego. Lindo, lindo, lindo. Aqui era uma paisagem mais monumental, uma bela vista da Chapada dos Veadeiros. 

Nos aventuramos em algumas beiradinhas e penhascos, o vento chegava a incomodar de tão forte. Lá de cima o Zé Pedrão nos mostrou um poço com uma cachoeira na beira do precipício e disse que iríamos até lá. Não entendemos muito bem, mas tranquilo, ele falava tão rápido que só 25% das palavras conseguíamos processar. Aqui um momento triste: não sei como e nem onde, mas minha calça rasgou de ponta a ponta, minha calça novinha, não tinha 12 anos de uso. Foi um baque! Luto! Tinha maior xodó por ela, resgatei-a 3 vezes do lixo, mas dessa vez não teve jeito. O que me consola é que tenho certeza de que partiu em paz, fazendo o que ela mais gostava, e num pico maravilhoso. Pendurado num penhasco e tentando tirar fotos, sinto uma picada doída na coxa, de repente outra, estou sendo atacado por abelhas, largo a máquina no chão e volto para para terra firme, mais dois ferrões para coleção. Caraca que inferno, agora elas iriam passar o dia todo em cima do meu corpinho. Não sei se era meu desodorante, protetor solar ou alguma planta que esbarrei, fato é que até o final da trilha servi de aeroporto para centenas de abelhas, marimbondos e insetos venenosos em geral. 

Depois de um tempo brincando no topo decidimos voltar para a Ponte de Pedra e tentar mergulhar no riachinho. Prontos para molhar a tanguinha e Zé Pedrão indica um outro caminho para o mergulho: o canion! porra como assim? depois do canion é o penhasco! mas não é que era isso mesmo, sem o guia nunca saberíamos que poderíamos ir nadando pelo canion até alcançar a beira da cachoeira que escorria pelo precipício. Muito show. Lugar único. Fiquei um bom tempo dentro d´água por causa dos marimbondos assassinos apaixonados por mim. Lugar espetacular. Na face oposta tem um paredão gigante, dando uma ideia de lugar escondido, curti demais. Milhares de fotos.

Já enrugadinhos pela piscina começamos nosso retorno. Estava cansado. Na volta a trilha ficava mais bonita com o sol da tarde. Na descida final o Carlota escorregou e torceu o joelho de vidro operado meses antes, momentos de tensão. Felizmente nada grave, continuamos até o estacionamento. O retorno pela estradinha foi bem ruim também, em vários momentos tivemos que descer para a caranga conseguir encarar as subidas. Os carrapatos agradeceram e se lambuzaram comigo. Fomos direto para o centro de Cavalcante encarar um almojanta. Zé Pedrão indicou um self-service por quilo bem meia boca, comida fria, na verdade quase gelada. Nem deram cortesia para  o guia, pagamos sua parte. Mas com a fome que estava, papei e repeti lambendo os beiços. Retorno para pousada e já acertamos o dia seguinte: comunidade Kalunga com as cachoeiras Capivara e Santa Bárbara. Banho quente, caça aos carrapatos e mais um bate papo agradável com o pessoal da pousada, éramos os únicos hóspedes. Ticado com louvor, com certeza foi o rolê que mais gostamos na Chapada dos Veadeiros. Quando abrir a portaria do Parna em Cavalcante pretendo voltar e refazer esta trilha.   



Santo André - Parque Central

O Parque Central da cidade de Santo André é um lugar bastante agradável, com ciclovia, trechos p/ caminhada, muitos lagos e possivelmente todos os cães da região passeando. Demos um rolê tranquilo e, próximo ao meio-dia, nos dirigimos ao Sabina, que ficava no muro ao lado do parque. Aqui uma observação: não existe uma portaria que ligue os dois parques, sendo necessário caminhar num trechinho meio feio numa viela da favela, obviamente o Carlão se esvaiu em fezes.


Parque Nacional da Serra das Confusões - PI

De tão incrível que foi, deixei o relato para mais tarde, queria fazê-lo de modo caprichado, único, não queria esquecer nenhum detalhe, mas os anos se passaram e ele nunca foi escrito. Agora a memória é falha, e as escassas fotos pouco ajudam, mas uma hora é preciso escrever, mesmo que infelizmente muito se tenha perdido da lembrança da caminhada. 

   
Verão de 2006, eu e Alex decidimos fazer uma trip diferente, atravessamos e sertão do Piauí até alcançar os Lençóis Maranhenses. Uma das paradas foi justamente o Parque Nacional Serra das Confusões. Quando dormimos na cerâmica da Serra da Capivara, a mulher havia nos indicado, segundo ela, o único guia que fazia o parque das Confusões, Waltércio era o nome dele. Contato feito, arrumamos uma carona para Caracol na caminhonete do próprio IBAMA e, lá na cidade, contratamos o transporte que iria nos deixar no parque e nos buscar 2 dias depois. Ficamos 3 dias e duas noites (acampando) no parque.

Dia 01 - No primeiro dia saímos de Caracol e fomos até a comunidade de Guaribas que fica dentro do parque. A estrada é surreal, aberta por picaretas no meio das rochas. Fomos de jeep porque carro normal não chega. No meio do caminho pedimos para parar um pouco, visual impressionante, fotos. Atravessamos a comunidade pela estrada de areia e poeira fomos até o início de uma trilha que chegava até um olho d´água. O transporte nos deixou, não dava mais para continuar, nem 4X4. Combinamos de nos encontrar ali mesmo 2 dias depois. Partimos, então, eu, Alex, Waltércio e um galão com 18 litros d'água para um rolê inesquecível. Andamos até um sítio abandonado dominado pela caatinga. Montamos as barracas no terreiro. Dezenas de escorpiões. Tipo que nem barata, você espera um pouco e surge algum. Milhares de insetos, abelhas mutantes gigantes. Muito marimbondo também. Achamos o olho d'água. Difícil era ter a coragem de beber dele. Nesta primeira tarde exploramos brevemente a parte de baixo, não subimos nos morros, fomos dormir cedo. Ainda me lembro do céu forrado de estrelas e o horizonte sem luz elétrica, completa escuridão.

Dia 02 - Acordamos com os insetos batendo nas laterais da barraca, parecia um alvo, tipo um aeroporto, barulho ensurdecedor. Logo Waltércio aparece com um morcego que estava sendo atacado por um gavião. Café da manhã e partimos para a caminhada. Nos embrenhamos em várias trilhas e picadas por ali. Show de bola, tudo muito diferente. Pinturas rupestres, caatinga, muita fauna também. Me agachei para tirar uma foto e quando vou apoiar a mão vejo algo estranho na serrapilheira. Uma jibóia! Viro para meus colegas e falo: tem uma jibóia aqui. Eles prontamente riem e duvidam. Mostro o local e logo ela sai do esconderijo. Fiquei um pouco preocupado quando Waltércio tentou pegá-la, ele dizia que era professor de biologia e que taxidermizava animais. Logo ele desistiu da brincadeira. Disse que, quando voltássemos, seria melhor nem comentarmos porque o pessoal era tão pobre na comunidade que eles iriam caçá-la para comer. De fato a comunidade Guaribas é paupérrima, tipo IDH africano mesmo. O Alex lembrou que ali foi o início do programa fome zero. Já tínhamos visitado algumas comunidades carentes e acampamentos sem terra quando éramos colegas na facu de geografia, mas ali o buraco era mais embaixo. Já naquela época viviam de esmola do governo, plantavam mamona, tentavam né. O clima, o solo e a água não contribuíam muito.

Subimos os morros, baita visu lindo! Sol rachando, claro. Andamos um pouco explorando as vertentes e descansamos num abrigo de pedra. De repente o show começou. Surgem duas águias chilenas e começam a fazer um verdadeiro balé para nós. Deveriam estar curiosas com nossa presença. Lindas, lindas. São enormes! Nunca tinha visto uma ave de rapina tão grande, apenas a harpia no zoológico. Inesquecível. Ficamos um bom tempo brisando no visual e, quando o sol castigava muito, nos escondíamos em algumas tocas por ali. À noite mais um show de céu estrelado e escorpiões pelo chão.

Dia 03 - Acordamos bem cedo, 06:00hs e já tínhamos acampamento desmontado, barriga cheia de mingau de aveia e pé na trilha para encontrar nosso transporte de resgate. Daí começou o problema. O Waltércio procurou fazer outro caminho para alcançar o ponto de encontro, mas as antigas picadas de animais (gado) acabaram por confundir (trocadilho hein) a navegação. Resultado: horas de trilha em meio à juremas afiadas que dilaceravam roupas, mochilas, braços e pernas. Entendi, literalmente na pele, porque o sertanejo usa roupa de couro. O negócio parece anzol, engancha/fisga. Isso sem falar do sol do Piaui na cabeça. Depois de um tempo encontramos outro olho d'água e o caminho para a estrada. 

Já na estrada de areia fofa, rumando em direção ao transporte encontramos o próprio resgate. Sorte? não, o pneu tinha furado! Simples, trocamos o pneu e adivinha: o estepe também estava furado! Sem problemas, tinha silver tape na mochila, fizemos um mega remendo e agora era só encher, mas como? Eles simplesmente tiraram um botijão de gás de cozinha de debaixo do capô!!! O jipe era movido à gás de cozinha!!! Enchemos o pneu, o jipe andou alguns metros e: esvaziou o pneu de novo. Mais uma tentativa, agora íamos a pé, no jipe só as mochilas e o motorista. Esvaziou de novo. Melhor parar de usar o gás do botijão, pois não iria ter combustível para voltar!!! Qual a solução? Retiramos a câmara de dentro do pneu e enchemos com folhas e arbustos!!! Surreal!!! Se não tivesse fotos nem eu acreditaria. Fato é que não conseguimos resolver o problema. Alcançamos um sítio, agora a pé, e o morador, paupérrimo mas riquíssimo de coração, ainda tentou com remendo de bicicleta resolver o impasse, mas sem chances. Detalhe, que me lembro bem, foi ele oferecendo café no único copo que tinha em sua casa. Marcou minha vida este fato. Não resolveu nosso problema mas agradeço a tentativa e hospitalidade. 

Seguimos até o centro do povoado. Um motoqueiro ofereceu, ao dono do jipe, carona até a cidade. Ficamos ali na escola batendo papo com o pessoal da comunidade de lá, estavam curiosos conosco. Já estava escuro quando voltaram com as duas câmaras consertadas. Trouxeram coca-cola gelada, nem tomei, dividi com a criançada. Agradecemos e partimos de volta para Caracol. Jipe veio à milhão na estradinha escura. Nos deixaram numa pousadinha e ainda queriam uma grana extra pelos imprevistos. Ignoramos e pagamos o inicialmente combinado. Estava rolando um velório e a cidade toda acordada, acidente de carro. Eram 3:30 da manhã quando entrei no quarto, quase 24 horas acordados e na tensão, apelidamos de "dia que não terminou". Logo o sol surgiu e pegamos o bumba de volta para São Raimundo Nonato.






Chapada dos Veadeiros - Vale da Lua

Pé na estrada e seguimos destino Vale da Lua.  Placas na estrada nos indicavam o caminho, não tem como errar. Estávamos empolgados com a visita, afinal é um dos cartões postais da Chapada. Chegando lá, pagamos a taxa de extorsão de R$ 15,00 por alma e entramos. Uma pequena trilha (minutos) e já alcançamos o Vale da Lua. Decepção total! Foi, de longe, o passeio que menos gostamos. O preço da entrada não condiz com a atração. Tinha imaginado aquele pico com dimensões consideráveis, mas é muito pequeno. Depois de tudo o que já havíamos visto, no Parna e na Cachu do Segredo, o Vale da Lua ficou muito inflacionado. Caminhamos um pouco sobre as rochas e depois demos um tchibun na água gelada. Aqui já tínhamos a companhia de uma família, era realmente mais turístico. Sinceramente não curti, ticado sem pretensões de retorno, serviu só para falar que conheço.